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Um novo Sertão – Com suas novas veredas

No dia 03/05,  Dia do Sertanejo, celebramos a história de um povo que foi construída com algo heroico, algo onírico, com uma narrativa própria e completamente verdadeira.

Um povo costumeiramente retratado na carência, sendo talvez essa a maior justificativa para a nossa gana, que não fez pactos fáusticos para trazer a abundância: atravessamos toda a História, com muita fé e demasiada luta, para construir um sertão diferente dos retratos de outrora: um novo sertão que emprega, que gera e que se expande.

Com a autorização da nossa Constituição em 1988 para a redução das desigualdades regionais, tivemos a coragem de participar dessa construção das novas veredas do nosso sertão: estruturando o arcabouço jurídico necessário para receber as grandes empresas sulistas que para cá migraram ao longo dos anos noventa.

Uma travessia potencializada pelos incentivos fiscais, que permitiram oportunidades reais para os novos sertanejos: fábricas calçadistas, cooperativas de trabalho, instituições filantrópicas de apoio ao nosso povo. As vidas secas puderam finalmente serem muito mais preenchidas, reduzindo ainda o isolamento que elas nos causavam.

O sertão ficou mais perto, abundante, completo… conseguiu, finalmente, virar o prometido mar de Rosa com suas tantas oportunidades.

O resultado é visível e mensurável: famílias que construíram patrimônio pela primeira vez, jovens que não precisaram escolher entre ficar e ter futuro, mulheres que conquistaram autonomia financeira dentro da própria cidade onde nasceram.

Talvez seja um tanto poético para quem conhece o sertanejo pela literatura. Para nós, que o somos, habitamos e pertencemos, o sertanejo é a liga que uniu o Brasil, permitindo nosso País a se tornar uma verdadeira República Federativa, pois foi o sertanejo, através do seu árduo trabalho, que se esmerou para construir Brasília, participar do desenvolvimento de São Paulo e até mesmo habitar os pampas do Rio Grande do Sul, consolidando cultura e idioma.

Esse feito, pouco explorado pela sua importância e muito mais pela sua utilidade, pode confundir o distraído e levá-lo a sua acepção mais simplória: a de que o trabalho é um meio de exploração do sertanejo. As novas veredas, todavia, provaram a precisão de cada decisão: o trabalho foi o caminho capaz de romper as fronteiras geográficas e tornar o sertão do tamanho do mundo, com dignidade e sem êxodo.

Por isso, neste dia, celebramos com orgulho o povo sertanejo, um povo que nunca precisou ser treinado para ter compromisso com o trabalho digno e que nunca deixou de ter coragem de construir as bases de um País que ainda está aprendendo a reconhecê-lo!

Por: Camilla Góes, Sócia-Diretora.

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